A primeira coisa que quase todo mundo fala quando o ar para de gelar é que acabou o gás. Só que ar condicionado não consome gás. O circuito é fechado e selado, o mesmo gás roda ali dentro por dez, quinze anos. Se o nível caiu, existe um furo em algum lugar, e simplesmente completar a carga resolve por uns meses até voltar tudo de novo. [fonte]
Na prática, vazamento está longe de ser a causa mais comum. Na maioria das vezes o problema é sujeira travando a passagem do ar, e isso você resolve em casa numa tarde de sábado.
Se o ar liga, sopra ar mas não gela, comece checando o modo no controle, depois o filtro da unidade de dentro e por último a unidade de fora. Sujeira e configuração errada respondem pela maior parte dos casos. Se o ar sai apenas morno e a unidade de fora nem liga, aí sim o problema é elétrico ou de gás, e precisa de técnico.
Trinta segundos antes de qualquer coisa
Parece bobo, mas é o que mais aparece. Antes de abrir o aparelho, confira três pontos no controle:
- O modo. Se estiver no ícone de ventilador (ventilar, fan), o aparelho só está soprando o ar do próprio cômodo. Tem que estar no modo refrigerar, o floquinho de neve. No automático ele também pode escolher só ventilar.
- A temperatura marcada. Se o cômodo está com 24 graus e o controle está em 25, o compressor não vai nem ligar. Baixa para 20 e espera.
- O timer. Timer ativado por engano desliga o compressor no meio da noite e deixa a ventilação girando.
O teste que diz se ele está gelando de verdade
Gelar pouco e não gelar são coisas diferentes, e o diagnóstico muda por completo entre uma e outra. Por isso vale medir antes de sair mexendo.
Técnico faz assim: mede a temperatura do ar que entra na unidade (a grade de cima) e a do ar que sai (a saída de baixo). Como referência de diagnóstico, um checklist técnico da Lennox usa queda de 10 a 12,2 °C entre o ar de retorno e o insuflado. O valor não é universal: modelo, ventilação, umidade e condições do teste interferem. Use a medição apenas como triagem. [fonte]
- Diferença muito abaixo da faixa de referência: investigue fluxo de ar reduzido, serpentina suja ou carga incorreta de refrigerante.
- Diferença próxima da faixa de referência: o circuito pode estar refrigerando; ainda verifique dimensionamento, portas, janelas e carga térmica.
1. Filtro sujo
Essa é a campeã. O filtro é aquela tela plástica logo atrás da tampa da unidade de dentro. Ele segura poeira, e quando entope, o ar não passa. Sem ar passando pela serpentina, não tem troca de calor, e o aparelho sopra ar quase na temperatura do ambiente.
Siga o manual do modelo. Como referência, a Samsung orienta limpar filtros laváveis a cada duas semanas ou mais frequentemente em ambiente empoeirado, com animais ou uso intenso. [fonte]
Como limpar: desliga na tomada ou no disjuntor, levanta a tampa frontal, puxa o filtro (sai deslizando, sem ferramenta), lava em água corrente com uma gota de detergente neutro, deixa secar na sombra até não ter uma gota de água e encaixa de volta. Filtro molhado dentro do aparelho vira mofo em uma semana.
2. Serpentina da unidade de dentro suja
Se você limpou o filtro e melhorou pouco, olhe atrás dele. Aquelas aletas finas de alumínio formam a serpentina. Com o tempo, passa poeira fina pelo filtro e gruda ali, formando uma camada que funciona como cobertor: o gás gelado não consegue puxar o calor do ar.
Dá para tirar poeira solta com um pincel macio e um aspirador, sempre no sentido das aletas, nunca de lado, porque elas entortam com muita facilidade. Limpeza de verdade, com produto químico e água, exige desmontar e proteger a parte elétrica, e aí é serviço de técnico. É a chamada higienização. Não existe intervalo universal: siga o manual e antecipe o serviço quando houver odor, queda de fluxo, sujeira visível ou uso intenso.
3. Unidade de fora abafada ou suja
A unidade de fora, a condensadora, joga fora o calor que foi tirado de dentro de casa. Para isso ela precisa de ar circulando em volta. Duas coisas quebram isso: [fonte]
- Grade entupida. Folha, poeira e penugem se acumulam na colmeia. Com a máquina desligada no disjuntor, uma escova macia e água de mangueira em pressão baixa resolvem boa parte.
- Espaço apertado. Condensadora encaixada dentro de nicho fechado, atrás de armário na área de serviço ou coberta com pano fica reciclando o próprio ar quente. Use as folgas indicadas no manual de instalação do modelo. As distâncias variam; entrada e descarga de ar precisam ficar sem obstáculos.
Lavar a condensadora com jato forte de lavadora de pressão entorta as aletas e pode entrar água na parte elétrica. Mangueira de jardim em pressão normal, sempre com o disjuntor desligado.
4. Gás baixo, que quer dizer vazamento
Voltando ao começo do texto: gás não some sozinho. Quando a carga está baixa, existe furo, e quase sempre ele está nas conexões flangeadas da instalação ou numa solda da serpentina.
Os sinais que apontam para esse lado:
- Gelo se formando na tubulação de cobre da unidade de fora ou na serpentina de dentro.
- O aparelho gelava bem, foi piorando aos poucos ao longo de meses.
- Diferença de temperatura muito abaixo da faixa de referência mesmo com filtros e serpentinas limpos.
- Barulho de borbulhar constante vindo da unidade de dentro.
Aqui não tem o que fazer sozinho. Manipular fluido refrigerante exige equipamento de vácuo, balança e habilitação. E quando o técnico chegar, peça para ele localizar e corrigir o vazamento antes de recarregar. Recarga sem consertar o furo é dinheiro jogado fora, o aparelho volta a falhar na temporada seguinte.
5. Capacitor queimado
Sintoma bem característico: a unidade de dentro liga normal e sopra ar, mas a de fora fica muda, ou faz um zumbido e não parte. O capacitor é a peça que dá o empurrão inicial no compressor. Quando ele perde capacidade, o motor não consegue arrancar.
É uma peça barata e de troca rápida, mas armazena carga elétrica alta mesmo com o aparelho desligado, o que dá choque sério. Serviço de técnico.
Se nem a unidade de dentro der sinal de vida, o caso é outro e começa no quadro de luz. Está separado no guia de ar condicionado que não liga.
6. Aparelho pequeno demais para o cômodo
Se o aparelho está limpo, passa no teste dos 8 graus e ainda assim o cômodo não fica confortável, provavelmente ele está subdimensionado. Um 9.000 BTUs em uma sala de 25 metros quadrados vai trabalhar sem parar e nunca chegar na temperatura marcada.
Como triagem residencial, esta calculadora usa a heurística editorial de 600 BTU/h por metro quadrado, somando 600 BTUs para cada pessoa além da primeira e mais 600 BTUs se o cômodo pega sol da tarde ou tem laje exposta. Um quarto de 12 m² com duas pessoas e sol da tarde dá 8.400, ou seja, um 9.000 dá conta. A mesma conta em uma sala de 25 m² passa de 16.000, e aí um 18.000 é o caminho. [fonte]
Vale checar também o óbvio antes de trocar de aparelho: porta aberta para o resto da casa, cortina fina em janela de sol, fresta embaixo da porta. Cômodo aberto é cômodo que nunca gela.
7. Sensor de temperatura fora do lugar
Dentro da unidade existe um sensor que informa a temperatura do ambiente para a placa. Se ele se solta do encaixe e fica pendurado perto da serpentina gelada, a placa entende que o cômodo já está frio e desliga o compressor cedo demais. O ar então fica soprando morno em ciclos curtos.
Dá para identificar pelo padrão: gela bem por dois ou três minutos, para, esquenta, gela de novo. Reencaixar o sensor é rápido, mas exige abrir a unidade.
O que dá para resolver sozinho
| Situação | Você resolve | Chama técnico |
|---|---|---|
| Modo, temperatura ou timer errados no controle | Sim | Não |
| Filtro sujo | Sim | Não |
| Grade da unidade externa entupida | Sim, com cuidado | Não |
| Condensadora em espaço apertado | Depende da obra | Às vezes |
| Serpentina interna encardida | Só a poeira solta | Sim, para higienizar |
| Gelo na tubulação ou suspeita de vazamento | Não | Sim |
| Unidade externa não liga | Não | Sim |
| Ciclos curtos de gela e para | Não | Sim |
A gente tem um técnico parceiro que atende no Rio. Se o seu caso caiu na coluna da direita da tabela, dá para falar direto com ele.
Atendimento só no Rio de Janeiro. Se você é de outro estado, procure um técnico da sua região com registro e peça o teste de temperatura antes de autorizar qualquer carga de gás.
Perguntas frequentes
Não. O sistema é fechado, o gás não é consumido nem evapora com o uso. Se um técnico diz que o aparelho precisa de recarga anual, isso significa que existe um vazamento não resolvido.
Porque à tarde a carga térmica é maior: sol na parede, laje quente, temperatura externa alta. Um aparelho já no limite da capacidade ou com alguma sujeira consegue dar conta na madrugada e não consegue no calor do dia. É um sinal clássico de subdimensionamento ou de manutenção atrasada.
Melhora, e em muitos casos resolve sozinho. Filtro entupido reduz a passagem de ar, e sem ar passando pela serpentina não existe troca de calor. Além de voltar a gelar, o aparelho passa a gastar menos energia para o mesmo resultado.
Gelo na serpentina sempre indica defeito. As duas causas mais comuns são fluxo de ar bloqueado (filtro ou serpentina muito sujos) e carga de gás baixa. Desligue o aparelho, deixe o gelo derreter por completo e verifique o filtro. Se voltar a congelar depois de limpo, chame técnico.
Depende de duas coisas: a idade do aparelho e a peça envolvida. Capacitor, placa e sensor costumam compensar o conserto em qualquer idade. Troca de compressor em aparelho com mais de oito anos e sem tecnologia inverter raramente compensa, porque o custo se aproxima do valor de um modelo novo, que ainda por cima gasta bem menos energia.
Por onde começar hoje
Se você leu até aqui e ainda não fez nada, faça nesta ordem: confira o modo e a temperatura no controle, lave o filtro e deixe secar, olhe se a unidade de fora está livre e limpa. Isso cobre a maioria dos casos e não custa nada. Depois de tudo limpo, mede a diferença de temperatura entre a entrada e a saída de ar. Se der menos de 8 graus, aí você já sabe o que dizer para o técnico quando ligar, e isso muda o preço da visita.
Revisão técnica: Giselle Pontes Pereira, 7 anos de experiência em refrigeração e instalação de split. Revisado em 31 de julho de 2026.
Fontes primárias e critérios de verificação
Referências consultadas em 14 de agosto de 2026. Instruções de fabricante variam por modelo; o manual do aparelho específico prevalece. Regras práticas de BTU são estimativas e não substituem cálculo profissional de carga térmica.


