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Defeitos

Ar condicionado não gela: as 7 causas mais comuns e o que fazer

O ar liga, sopra, mas não gela. Antes de chamar técnico, veja as 7 causas mais comuns, o teste dos 8 graus e o que dá para resolver sozinho.

Atualizado em 1 de setembro de 2026 11 min de leitura

A primeira coisa que quase todo mundo fala quando o ar para de gelar é que acabou o gás. Só que ar condicionado não consome gás. O circuito é fechado e selado, o mesmo gás roda ali dentro por dez, quinze anos. Se o nível caiu, existe um furo em algum lugar, e simplesmente completar a carga resolve por uns meses até voltar tudo de novo. [fonte]

Na prática, vazamento está longe de ser a causa mais comum. Na maioria das vezes o problema é sujeira travando a passagem do ar, e isso você resolve em casa numa tarde de sábado.

Resposta rápida

Se o ar liga, sopra ar mas não gela, comece checando o modo no controle, depois o filtro da unidade de dentro e por último a unidade de fora. Sujeira e configuração errada respondem pela maior parte dos casos. Se o ar sai apenas morno e a unidade de fora nem liga, aí sim o problema é elétrico ou de gás, e precisa de técnico.

Trinta segundos antes de qualquer coisa

Parece bobo, mas é o que mais aparece. Antes de abrir o aparelho, confira três pontos no controle:

  • O modo. Se estiver no ícone de ventilador (ventilar, fan), o aparelho só está soprando o ar do próprio cômodo. Tem que estar no modo refrigerar, o floquinho de neve. No automático ele também pode escolher só ventilar.
  • A temperatura marcada. Se o cômodo está com 24 graus e o controle está em 25, o compressor não vai nem ligar. Baixa para 20 e espera.
  • O timer. Timer ativado por engano desliga o compressor no meio da noite e deixa a ventilação girando.

O teste que diz se ele está gelando de verdade

Gelar pouco e não gelar são coisas diferentes, e o diagnóstico muda por completo entre uma e outra. Por isso vale medir antes de sair mexendo.

Técnico faz assim: mede a temperatura do ar que entra na unidade (a grade de cima) e a do ar que sai (a saída de baixo). Como referência de diagnóstico, um checklist técnico da Lennox usa queda de 10 a 12,2 °C entre o ar de retorno e o insuflado. O valor não é universal: modelo, ventilação, umidade e condições do teste interferem. Use a medição apenas como triagem. [fonte]

  • Diferença muito abaixo da faixa de referência: investigue fluxo de ar reduzido, serpentina suja ou carga incorreta de refrigerante.
  • Diferença próxima da faixa de referência: o circuito pode estar refrigerando; ainda verifique dimensionamento, portas, janelas e carga térmica.

1. Filtro sujo

Essa é a campeã. O filtro é aquela tela plástica logo atrás da tampa da unidade de dentro. Ele segura poeira, e quando entope, o ar não passa. Sem ar passando pela serpentina, não tem troca de calor, e o aparelho sopra ar quase na temperatura do ambiente.

Siga o manual do modelo. Como referência, a Samsung orienta limpar filtros laváveis a cada duas semanas ou mais frequentemente em ambiente empoeirado, com animais ou uso intenso. [fonte]

Como limpar: desliga na tomada ou no disjuntor, levanta a tampa frontal, puxa o filtro (sai deslizando, sem ferramenta), lava em água corrente com uma gota de detergente neutro, deixa secar na sombra até não ter uma gota de água e encaixa de volta. Filtro molhado dentro do aparelho vira mofo em uma semana.

2. Serpentina da unidade de dentro suja

Se você limpou o filtro e melhorou pouco, olhe atrás dele. Aquelas aletas finas de alumínio formam a serpentina. Com o tempo, passa poeira fina pelo filtro e gruda ali, formando uma camada que funciona como cobertor: o gás gelado não consegue puxar o calor do ar.

Dá para tirar poeira solta com um pincel macio e um aspirador, sempre no sentido das aletas, nunca de lado, porque elas entortam com muita facilidade. Limpeza de verdade, com produto químico e água, exige desmontar e proteger a parte elétrica, e aí é serviço de técnico. É a chamada higienização. Não existe intervalo universal: siga o manual e antecipe o serviço quando houver odor, queda de fluxo, sujeira visível ou uso intenso.

3. Unidade de fora abafada ou suja

A unidade de fora, a condensadora, joga fora o calor que foi tirado de dentro de casa. Para isso ela precisa de ar circulando em volta. Duas coisas quebram isso: [fonte]

  • Grade entupida. Folha, poeira e penugem se acumulam na colmeia. Com a máquina desligada no disjuntor, uma escova macia e água de mangueira em pressão baixa resolvem boa parte.
  • Espaço apertado. Condensadora encaixada dentro de nicho fechado, atrás de armário na área de serviço ou coberta com pano fica reciclando o próprio ar quente. Use as folgas indicadas no manual de instalação do modelo. As distâncias variam; entrada e descarga de ar precisam ficar sem obstáculos.
Cuidado aqui

Lavar a condensadora com jato forte de lavadora de pressão entorta as aletas e pode entrar água na parte elétrica. Mangueira de jardim em pressão normal, sempre com o disjuntor desligado.

4. Gás baixo, que quer dizer vazamento

Voltando ao começo do texto: gás não some sozinho. Quando a carga está baixa, existe furo, e quase sempre ele está nas conexões flangeadas da instalação ou numa solda da serpentina.

Os sinais que apontam para esse lado:

  • Gelo se formando na tubulação de cobre da unidade de fora ou na serpentina de dentro.
  • O aparelho gelava bem, foi piorando aos poucos ao longo de meses.
  • Diferença de temperatura muito abaixo da faixa de referência mesmo com filtros e serpentinas limpos.
  • Barulho de borbulhar constante vindo da unidade de dentro.

Aqui não tem o que fazer sozinho. Manipular fluido refrigerante exige equipamento de vácuo, balança e habilitação. E quando o técnico chegar, peça para ele localizar e corrigir o vazamento antes de recarregar. Recarga sem consertar o furo é dinheiro jogado fora, o aparelho volta a falhar na temporada seguinte.

5. Capacitor queimado

Sintoma bem característico: a unidade de dentro liga normal e sopra ar, mas a de fora fica muda, ou faz um zumbido e não parte. O capacitor é a peça que dá o empurrão inicial no compressor. Quando ele perde capacidade, o motor não consegue arrancar.

É uma peça barata e de troca rápida, mas armazena carga elétrica alta mesmo com o aparelho desligado, o que dá choque sério. Serviço de técnico.

Se nem a unidade de dentro der sinal de vida, o caso é outro e começa no quadro de luz. Está separado no guia de ar condicionado que não liga.

6. Aparelho pequeno demais para o cômodo

Se o aparelho está limpo, passa no teste dos 8 graus e ainda assim o cômodo não fica confortável, provavelmente ele está subdimensionado. Um 9.000 BTUs em uma sala de 25 metros quadrados vai trabalhar sem parar e nunca chegar na temperatura marcada.

Como triagem residencial, esta calculadora usa a heurística editorial de 600 BTU/h por metro quadrado, somando 600 BTUs para cada pessoa além da primeira e mais 600 BTUs se o cômodo pega sol da tarde ou tem laje exposta. Um quarto de 12 m² com duas pessoas e sol da tarde dá 8.400, ou seja, um 9.000 dá conta. A mesma conta em uma sala de 25 m² passa de 16.000, e aí um 18.000 é o caminho. [fonte]

Vale checar também o óbvio antes de trocar de aparelho: porta aberta para o resto da casa, cortina fina em janela de sol, fresta embaixo da porta. Cômodo aberto é cômodo que nunca gela.

7. Sensor de temperatura fora do lugar

Dentro da unidade existe um sensor que informa a temperatura do ambiente para a placa. Se ele se solta do encaixe e fica pendurado perto da serpentina gelada, a placa entende que o cômodo já está frio e desliga o compressor cedo demais. O ar então fica soprando morno em ciclos curtos.

Dá para identificar pelo padrão: gela bem por dois ou três minutos, para, esquenta, gela de novo. Reencaixar o sensor é rápido, mas exige abrir a unidade.

O que dá para resolver sozinho

SituaçãoVocê resolveChama técnico
Modo, temperatura ou timer errados no controleSimNão
Filtro sujoSimNão
Grade da unidade externa entupidaSim, com cuidadoNão
Condensadora em espaço apertadoDepende da obraÀs vezes
Serpentina interna encardidaSó a poeira soltaSim, para higienizar
Gelo na tubulação ou suspeita de vazamentoNãoSim
Unidade externa não ligaNãoSim
Ciclos curtos de gela e paraNãoSim

Atendimento só no Rio de Janeiro. Se você é de outro estado, procure um técnico da sua região com registro e peça o teste de temperatura antes de autorizar qualquer carga de gás.

Perguntas frequentes

Não. O sistema é fechado, o gás não é consumido nem evapora com o uso. Se um técnico diz que o aparelho precisa de recarga anual, isso significa que existe um vazamento não resolvido.

Porque à tarde a carga térmica é maior: sol na parede, laje quente, temperatura externa alta. Um aparelho já no limite da capacidade ou com alguma sujeira consegue dar conta na madrugada e não consegue no calor do dia. É um sinal clássico de subdimensionamento ou de manutenção atrasada.

Melhora, e em muitos casos resolve sozinho. Filtro entupido reduz a passagem de ar, e sem ar passando pela serpentina não existe troca de calor. Além de voltar a gelar, o aparelho passa a gastar menos energia para o mesmo resultado.

Gelo na serpentina sempre indica defeito. As duas causas mais comuns são fluxo de ar bloqueado (filtro ou serpentina muito sujos) e carga de gás baixa. Desligue o aparelho, deixe o gelo derreter por completo e verifique o filtro. Se voltar a congelar depois de limpo, chame técnico.

Depende de duas coisas: a idade do aparelho e a peça envolvida. Capacitor, placa e sensor costumam compensar o conserto em qualquer idade. Troca de compressor em aparelho com mais de oito anos e sem tecnologia inverter raramente compensa, porque o custo se aproxima do valor de um modelo novo, que ainda por cima gasta bem menos energia.

Por onde começar hoje

Se você leu até aqui e ainda não fez nada, faça nesta ordem: confira o modo e a temperatura no controle, lave o filtro e deixe secar, olhe se a unidade de fora está livre e limpa. Isso cobre a maioria dos casos e não custa nada. Depois de tudo limpo, mede a diferença de temperatura entre a entrada e a saída de ar. Se der menos de 8 graus, aí você já sabe o que dizer para o técnico quando ligar, e isso muda o preço da visita.

Revisão técnica: Giselle Pontes Pereira, 7 anos de experiência em refrigeração e instalação de split. Revisado em 31 de julho de 2026.

Fontes primárias e critérios de verificação

Referências consultadas em 14 de agosto de 2026. Instruções de fabricante variam por modelo; o manual do aparelho específico prevalece. Regras práticas de BTU são estimativas e não substituem cálculo profissional de carga térmica.

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